domingo, 6 de junho de 2010

Sopa de grão-de-bico e cogumelo

A Monica está promovendo o Festival do Champignon e eu não poderia deixar de participar por dois motivos óbvios: primeiro porque sou louca por todos os tipos de cogumelos, uso  com frequência na minha cozinha e segundo, porque adoro o blog da Monica, acho ela uma querida e fico muito feliz em prestigiar sua iniciativa. 
Eu poderia participar com alguma receita antiga, já postada aqui no blog, mas resolvi fazer uma coisa nova para sair do usual. Lá fui eu em busca de inspiração na minha coleção "A Grande Cozinha" da Editora Abril, que andava meio esquecida na prateleira... Como a temperatura caiu de vez aqui no sul, nada mais apropriado que uma sopinha, e a eleita foi a de grão-de-bico e cogumelo. Confesso que não sou muito fã de grão-de-bico, mas por isso mesmo quis dar uma "chance" pra ele, pois acompanhado de cogumelo e com todos os temperos que a receita pedia, impossível não ficar bom. Desta vez quase não alterei a receita original, usei:
2 xícaras de grão de bico;
300 g de cogumelo Paris;
70 g de bacon;
3 tomates;
2 dentes de alho;
1/2 cebola roxa grande;
1 talo de de salsão;
2 ramos de alecrim;
2 ramos de tomilho;
1 punhado de salsinha;
2 taças de vinho branco seco;
1 cubo de caldo de legumes;
sal e azeite de oliva.
O grão-de-bico deve ficar de molho na água por 12 horas antes do preparo. Após este período, escorrer e lavar os grãos em água corrente. Cozinhar por 1 hora em fogo baixo com água, sal e o alecrim.
Enquanto isso picar os outros ingredientes. Refogar no azeite de oliva a cebola, o salsão, a salsinha e o alho. Depois juntar o bacon, os cogumelos e o grão-de-bico cozido e escorrido (descartar os ramos de alecrim quando escorrer). Mexer por 5 minutos e acrescentar o vinho branco. Deixar evaporar parte do vinho e acrescentar 1 litro de água fervente e o caldo de legumes. Adicionar o tomate, sem pele e sem semente, cortado em tiras largas e os ramos de tomilho. Deixar cozinhar por mais 15 minutos. Antes de desligar verificar o sal e ajustar (para mim não precisou de sal), "pescar" os ramos de tomilho e servir. Para finalizar no prato, pimenta do reino moída na hora e folinhas de manjericão.
A sopa ficou divina! Extremamente aromática e saborosa. Aprovadíssima! Para acompanhar, a receita original sugeria um Cabernet Sauvignon não muito envelhecido. Escolhemos  um chileno que estava descansando na nossa adega há 1 ano - Porta Reserva 2007. Boa harmonização, o vinho foi realçado pelo sabor da sopa. 
Sobre o vinho: coloração rubi intenso, aromático, mas não consegui decifrar muito bem - algo no grupo herbáceo (lembram da Roda de Aromas?). No fundo de taça senti tabaco e um pouco de caramelo proveniente do carvalho. Os taninos estavam bem redondos, adstringência na medida. Um vinho elegante, de corpo médio, mas sem nenhuma característica marcante. Achei a relação custo/benefício adequada. Pagamos R$ 39,90 na Vinhos do Mundo no inverno passado. Bom vinho, mas só compro de novo se estiver em promoção.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Preparo de cremes

"Cremes e veloutés - ambos são pratos em que um tipo de hortaliça prevalece, ou no máximo duas que se equivalem, batidos no liquidificador até que cheguem a uma consistência cremosa e homogênea. Os cremes podem ser servidos quentes, ou frios, no verão, como o tradicional gaspacho espanhol (tem receita no Eternos Prazeres)" - A Grande Cozinha, vol. 10 - Sopas e Caldos, Ed. Abril, 2007.
Raro eu fazer outro tipo de sopa aqui em casa que não seja o creme. Quando está frio, pelo menos uma vez por semana sai alguma versão. Estou há horas querendo postar as receitinhas das minhas preferidas (mandioquinha e moranga), que são as que aparecem nas fotos, mas já estava desistindo. Estas receitas estão bem documentadas na blogsfera culinária, frequentemente alguém posta alguma versão. Entretanto, inspirada em uma postagem recente da minha blog-amiga Monica (Como se faz sopa?), resolvi fazer uma postagem não com receitas, mas com sugestões de como fazer estes cremes, pois para quem está começando a brincar com as panelas, muitas vezes dicas são mais úteis que receitas.
Vamos então aos cremes que eu acho mais fáceis: mandioquinha (batata baroa), aipim (mandioca ou macaxeira dependendo da região), moranga, batata. Para estes 4 tipos, sigo sempre a mesma ordem de preparo: 
  • Cozinho o ingrediente-base descascado (e picado para agilizar), imerso em água com 1 tablete de caldo de legumes;
  • Enquanto cozinha, refogo um pouco de cebola na manteiga ou azeite de oliva (quantidade à gosto);
  • Depois de cozido, levo ao liquidificador para bater com a própria água do cozimento - usar a quantidade de água necessária para que o liquidificador consiga trabalhar, não é muito;
  • Depois de batido, levo à panela com a cebola refogada, e cozinho por mais alguns minutos em fogo baixo (não precisa muito tempo pois não há nada cru), mexendo de vez em quando;
  • Acrescento um pouco mais de água (ou leite) se achar necessário, pois isto vai definir a textura (e o rendimento) do creme, fica à critério;
  • Antes de desligar, acrescento uma porção de creme de leite. Eu muitas vezes defino a quantidade de creme de leite pelas calorias (ãh?!). O raciocínio é o seguinte: uma caixinha de creme de leite de 200 g tem pouco mais de 400 kcal. Se eu fiz sopa para duas pessoas, por exemplo, só de creme de leite já vou ingerir 200 kcal. Se considerarmos os outros ingredientes, corre-se o risco de a refeição ficar bem calórica (e a gente se achando "tri light" porque jantou só um creminho né, rsrsrs), portanto, só uso uma caixinha inteira quando estou cozinhando para no mínimo 4 pessoas - não se preocupem, eu não sou maluca, neorótica, maniática, obsessiva-compulsiva ou coisa do tipo, sou engenheira (o que dá quase no mesmo);
  • Mexo bem pra uniformizar, provo e ajusto o sal -  as vezes é preciso quase nada, porque o caldo de legumes já temperou.
E voilà, está pronto o creme! Para dar uma incrementada, seguem mais algumas dicas:
  • No de moranga sempre acrescento um pouquinho de curry. Um toque de gengibre também cai super bem;
  • O de aipim pode ser incrementado com uma calabresa picada bem miudinha e refogada junto com a cebola - fica show;
  • Nunca tentei fazer só de cenoura, acho que ela não tem consistência para isso, mas ela vai bem como coadjuvante  (especialmente com o de batata);
  • O de batata é bem sonso, mas pode servir de base a outro ingrediente mais marcante (como espinafre, por exemplo) pois sua consistência contribui para dar cremosidade;
  • Para finalizar no prato, salsinha, cebolinha, queijo ralado e pimenta do reino moida na hora são sempre bem vindos;
  • Os croûtons são sempre um ótimo acompanhamento. Também uso queijo picado em cubos - que derretem no calor do creme... hummm...
Espero que tenham aproveitado as dicas, as possibilidades são ilimitadas, basta usar a imaginação e testar, testar... Uma hora a gente pega a manha e daí não para mais. Chega o dia em que as receitas são usadas só como uma referência, pois sempre acabamos dando um toque pessoal no preparo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sobremesa rápida de banana com doce de leite

Normalmente não sou de comer doce, mas esta semana estou impossível - uma formiga! Como sigo a teoria de que calorias "extras" devem valer a pena, passei no mercado e comprei os ingredientes para improvisar um doce com uma combinação que eu amo - banana e doce de leite! Esta minha "invenção" é inspirada em uma torta maravilhosa do Machry Armazém e Bistrô, na zona sul Porto Alegre. 
Coloquei em uma taça de sobremesa - 2 colheres de sopa de doce de leite, 1 banana fatiada, uma camada de chantilly e canela para finalizar. É de comer rezando! Acho que depois dessa, a formiga vai sossegar por bastante tempo, rsrsrs. 
A unica coisa que demanda um pouco de trabalho é o chantilly, mas como quem faz o serviço é a batedeira, pode-se dizer que esta é uma sobremesa rápida e fácil. Para o chantilly, usei uma caixinha de creme tipo chantilly da Fleischmann (resfriado por 20 min no freezer), duas claras e duas colheres de sobremesa de açúcar - bati até aumentar o volume e ficar com uma consistência firme. 
Nunca fiz a torta, mas ela segue a mesma ordem de ingredientes, a única diferença é que tem uma fina camada de massa na base (de bolacha triturada e manteiga). Qualquer hora dessas me arrisco a fazer.

domingo, 30 de maio de 2010

Receita para esquentar noites frias

A temperatura caiu aqui no sul e com a ausência do marido, que viajou, não havia programa melhor para este sábado à noite que a tríade sofá+coberta+filme. Na volta do almoço da "Confraria do Nhoque", passei na locadora e aproveitei que estava sozinha para pegar uns filmes de "menina". Antes de começar a sessão cinema, tratei de fazer o chá de maçã, canela e gengibre que a Fla postou na sexta - é ótimo, estava sonhando com ele desde que vi. 
Foi só eu me instalar no sofá que logo surgiu companhia, rsrsrs. A Malu é a gatinha mais carinhosa que existe. É o meu "chiclétinho", aonde eu vou, ela vai atrás... É tanto amor que não dá pra entender como alguém pode abandonar um bichinho desses (ela chegou aqui adulta e parece que passou por "poucas e boas" antes de ser adotada). Já faz um ano que ela está conosco e sua presença só nos traz alegrias - inclusive para o "mano" Heitor, que apesar do ciúme, não vive sem ela. Não há noite fria que resista a um cobertor, um cházinho quente e uma gatinha nos pés. Sem dúvidas é uma  receita de aconchego e carinho. 
Quem não tem gato pode ter dificuldades em entender o contexto  da cena - eu também estou presente na foto, viu?!... Embaixo da coberta, do chá e da gata, rsrsrs...

sábado, 29 de maio de 2010

Hoje é dia do nhoque da fartura

"Em tempos remotos, certo dia 29 na Itália, um andarilho faminto bateu na porta de um casebre na expectativa de um prato de comida. A família era grande e tinha pouca comida, mas apesar disso eles não se importaram em dividir o seu nhoque com o andarilho, São Genaro. Repartiram então a abençoada refeição, cabendo sete pedacinhos a cada um. Após a refeição, São Genaro satisfeito, agradeceu e partiu. Quando foram recolher os pratos descobriram que em baixo de cada um havia notas de dinheiro. Por isso, tradicionalmente, todo dia 29 é dia do nhoque da fartura, acompanhado do famoso ritual de colocar dinheiro embaixo do prato e comer primeiro os sete pedacinhos em pé, para depois comer a vontade." (fonte: diversas da internet)

Um pouquinho de superstição não faz mal a ninguém! Há alguns meses atrás, duas amigas e eu combinamos que todo o dia 29 nos reuniríamos para comer nhoque e botar a conversa em dia. Desta forma, independente do rumo que as nossas vidas seguirem, teremos um compromisso mensal de nos encontrarmos pelo menos uma vez por mês. Por enquanto isto não é um problema, porque trabalhamos juntas, mas pretendemos manter a tradição por muitos e muitos anos... 
A última edição foi aqui em casa! Eu estava na fase "cogumelos" e fiz um molho parecido com um já postado aqui, só que desta vez juntei uma taça de vinho, substitui o shitake por funghi e para finalizar, uma colherada de uma geléia gourmet, feita com vinho da uva Malbec e produzida pela Casa de Madeira na serra Gaúcha. O resultado foi um molho de sabor amadeirado, mas levemente adocicado (essa geléia deve ser usada com cautela!). 
Todo mundo gostou e repetiu, mas pra ser sincera, mal provei... Cozinhei calmamente, conversando, tomando vinho, beliscando um queijinho, e pra variar na hora de servir eu estava completamente sem apetite. Adoro cozinhar, mas a interação com os ingredientes e aromas durante o preparo, muitas vezes acaba por me satisfazer. Especialmente quando tenho visitas, o que me alimenta não é a comida e sim os elogios, rsrsrs... Entretanto, não preciso dizer que do vinho não abro mão né! Esta noite foi longe, regada a Casillero del Diablo e muita conversa (o Rodrigo aguentou firme no meio da mulherada, que orgulho). 
Hoje tem mais um encontro da nossa "Confraria do nhoque" e não vamos esquecer de seguir a tradição, porque dinheiro é bom - e não anda sobrando por aqui, rsrsrs.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Entrevero de alcatra

 Inspirado em petiscos de bares que frequentamos, há horas eu estava afim de fazer este prato no grill. Fica tudo de bom, e o melhor, é muito rápido de fazer, suja pouca louça, é prático de comer e quando se tem um marido como o meu, que corta cebola sorrindo, aí sim pode-se dizer, que não dá trabalho algum, rsrsrs.
Para duas pessoas, usei: 1 cebola grande cortada em tiras; 1/2 kg de alcatra; 150 g de cogumelo castanho fatiado e cubos de queijo (usei o tipo Estepe). Para temperar sal e shoyo.
Como dá pra ver na foto, vai tudo para grill e está feito. É só respeitar a ordem, primeiro coloquei a cebola com um pouquinho de azeite de oliva e bastante shoyo; quando ela estava cozida adicionei a carne, já temperada com sal. Dei um tempinho pra carne e em seguida juntei o cogumelo fatiado. O queijo chegou no "entrevero" no fim, pouco antes de desligar. Como eu gosto da carne mal passada, foi tudo muuuuito rápido. Levei o grill direto pra mesa e comemos com um  pãozinho quentinho... Bá, não precisou de mais nada. 
Perfeito para acompanhar uma cervejinha, mas como por aqui está frio, fomos de vinho. E pra não dizer que ando "metida", uma dica de vinho bom e barato, que vale a pena para estas ocasiões mais econômicas e despretenciosas - Aromo Reserva Privada Carmenère 2008. Aromático e macio na boca. Leve, mas com alguma personalidade. Equilibrado no álcool, desce fácil. A relação custo benefício é excelente, pagamos R$ 18,00 em promoção, no final do ano passado (não sei o preço normal, mas acho que vale pagar até R$ 25,00). Para quem não se dispõe a comprar vinhos mais caros, este é uma ótima pedida, além de ser de fácil acesso, pois é importado pela rede de supermercados Wal-Mart.

sábado, 22 de maio de 2010

Sanduíche-escondidinho de atum e palmito

Shopping sábado é coisa pra louco! Hoje eu encarei este programa de índio com uma lista de coisas para pesquisar e comprar... Obviamente cheguei em casa acabada... Entretanto, este era um programa que não podia ser mais adiado, pois um dos itens da lista estava diretamente relacionado à manutenção das minhas postagens e à integridade do blog: eu não podia mais viver sem ramekins, rsrsrs! 
Chegamos em casa no final da tarde com fome, e como o programa não incluiu o mercado, a solução mais óbvia era se contentar com um sanduíche mesmo, porque no estadinho que eu estava (e o vazio da geladeira) não havia possibilidade de rolar uma jantinha. Foi quando então, ao abrir a caixa dos ramekins para guardá-los, me bateu uma baita frustração de não estreiá-los...  Na falta de ingredientes, só nos resta usar a imaginação - o que fazer com um cacetinho (é como chamamos o pão francês aqui no sul), queijo, atum, palmito e creme de ricota? Um belo sanduíche? Não, a resposta certa é: um escondidinho! Para não polemizar, vamos chamar de sanduíche-escondidinho, pois os ingredientes são de um e a apresentação de outro. Para duas porções usei:
2 cacetinhos cortados em cubos;
4 fatias grandes de palmito pupunha;
1 lata de atum;
queijo picado a gosto;
1 colher de sopa de creme de ricota;
1 ovo;
leite;
manteiga;
mostarda Dijon, pimenta do reino e queijo parmesão ralado. 
Antes de começar botei 1 pedacinho (inho) de manteiga em cada ramekin. Depois dividi metade dos cubos de pão entre os dois e compactei no fundo, com a mão mesmo, até formar uma camada uniforme. Botei uma camada de palmito picadinho; meia lata de atum em cada e o queijo. Com a mão dei mais uma compactada nas camadas para eliminar os vazios e ganhar espaço. Misturei o creme de ricota, o ovo, o leite (não medi quanto usei, mas certamente não foi mais que 50 ml) e 1 colherinha de mostarda Dijon. Botei o restante do pão, novamente compactei e finalizei com a mistura, pimenta do reino ralada na hora e o parmesão ralado. 15 minutos em forno médio-alto pré-aquecido e estava pronto! Um lanche de primeira categoria para estreiar os meus ramekins! 
Bom domingo e até breve! Para os portoalegrenses de hábitos diurnos, com eu, felizmente a previsão é de tempo bom, portanto, acordar cedo e tomar o mate da manhã no Bric da Redenção, é a pedida! Parece que na segunda, a chuva volta para mais uma semaninha daquelas...