domingo, 18 de julho de 2010

Pão de minuto, muitos minutos...

Acho que já disse por aqui que não tenho muito jeito com o preparo de massas, especialmente de pão, mas sempre tive vontade de fazer aquele "pão de minuto". Depois que a receita saiu na revista Nestlé n° 45, com  a chamada  "pai e filho vão à cozinha e, numa gostosa brincadeira, preparam pães de minuto para o café da manhã especial de Dia das Mães", pensei: essa é pra mim, até criança faz.
Acordamos tarde hoje e como previsto, frio e chuva em Porto Alegre. Aos domingos gosto de um café da manhã especial e como acordei inspirada (e faminta), fui direto para a cozinha providenciar os pães de minuto para comer quentinho.  A receita é bem fácil, mas ainda não tinha acordado direto, me perdi nas quantidades e para "consertar", o pão de minuto virou pão de hora! Primeiro vou passar para vocês a receita que está na revista (também tem no site), depois conto minha versão e vocês escolhem como fazer...
Ingredientes : 
1 pote de iogurte natural integral Nestlé
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de açúcar
1 ovo
1 colher de chá de sal
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de fermento em pó
1 gema para pincelar e manteiga para untar
Misturar o iogurte com a manteiga, o açúcar, o ovo e o sal. Peneire sobre a mistura a farinha de trigo e o fermento. Misture bem a massa e modele os pãezinhos redondos. Coloque eu uma assadeira untada, pincele com a gema e leve para assar em forno médio preaquecido, por cerca de 15 minutos ou até que fiquem dourados.
Agora,  a versão "sem pressa": 
Tenho sempre iogurte natural na geladeira, mas feito por mim, e como eu não tinha a medida do copo do iogurte comercializado, usei duas xícaras... Optei por usar a metade da manteiga e do açúcar para ficar mais light. Lembrei que a receita de pão de minuto da Luciana tinha parmesão ralado, então resolvi adicionar um pacote (50 g) à massa. Assim que misturei a farinha, senti que tinha colocado muito iogurte, então fui colocando mais farinha e misturando (coloquei 1 xícara a mais em relação a receita original). Ainda assim a massa não estava no ponto de moldar os pãezinhos, mas eu já tinha perdido a paciência de misturar a massa e a fome estava crescendo... Então lembrei das minhas forminhas de empada - foram a salvação! Untei com  margarina, dividi a massa em 12 forminhas e salpiquei orégano e gergelim. Depois de 20 minutos de forno, tínhamos uma fornada de pães quentinhos e macios na mesa.
O sabor da manteiga derretida no pão quente, faz qualquer manhã chuvosa de domingo ficar mais feliz! A versão gorgonzola com um toque de azeite de oliva também ficou maravilhosa. Foi super fácil desenformar e arrisco dizer que do jeito que eu fiz, os pãezinhos ficaram mais leves e aerados. Foi aprovado como louvor, o Rodrigo disse que posso repetir a dose todos os domingos.
E enquanto tomávamos um belo café da manhã, olha a situação do Heitor no sofá da sala!  Essa estória de que gatos são indiferentes aos donos é a maior besteira. Eles sempre estão na peça da casa que estamos, são super companheiros, mas é claro, cada um na sua. Enquanto uns comem, outros dormem, hehehe... 

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vichyssoise

"A vichyssoise é uma das sopas mais importantes da culinária internacional, criada por um cozinheiro francês nos Estados Unidos. É servida normalmente morna ou fria e há variantes, como as que são cozidas em água e não caldo de legumes, juntando um osso de porco ou ainda acrescidas de agrião cozido e outras verduras." A Grande Cozinha - Sopas e Caldos, v. 10, Ed. Abril, 2007.
Já que a sopa tem esse nome bonito, não custa citar, afinal segui (ou quase) a receita que estava no livro, mas na verdade, essa vichyssoise nada mais é que um creme de batata com alho poró
Receitinha fácil sem muita complicação, só alterei as quantidades de manteiga e creme de leite para deixar mais light. Usei:
3 batatas médias;
2 alhos porós;
1/2 cubo de caldo de legumes;
1 colher de sopa de manteiga;
alecrim e tomilho;
1/2 caixinha pequena de creme de leite.
Cortei a parte branca do alho poró em rodelas e botei para refogar na manteiga. Enquanto isso, descasquei e piquei em cubos grandes a batata. Refoguei um pouco junto com o alho poró e logo acressentei  1 litro de água quente, o caldo de legumes e umas folinhas de alecrim e tomilho. Tampei a panela e deixei em fogo médio até as batatas ficarem cozidas. Bati tudo no liquidificador, retornei para a panela e acrescentei o creme de leite. Ajustei o sal e mantive em fogo baixo por mais alguns minutos, mexendo sem parar. 
No prato, cebolinha picada, pimenta do reino moída na hora e um toque de azeite de oliva. Delicioso, um creme de sabor muito delicado. Aprovadíssimo, vou repetir mais vezes!
Apesar de este creme ser propício para temperaturas mais amenas, pois a instrução é servir frio ou morno, servi quente obviamenente - vocês viram nos últimos noticiários, o frio que anda fazendo aqui no Sul do Brasil? No momento desta postagem, em Porto Alegre, 2ºC. 

terça-feira, 13 de julho de 2010

Da taça para o forno - torta de banana com doce de leite

Vocês lembram daquela sobremesa rápida na taça, de banana com doce de leite, que postei aqui? Pois então, ela foi inspirada em uma torta maravilhosa que comi no Machry em Porto Alegre, e finalmente tentei reproduzi-la em casa. Não tem erro! Fica perfeita, é fácil e rápida de fazer e agrada qualquer paladar!
Para camada base: 120 g de bolacha Maizena triturada no liquidificador até virar farinha +  100 g de manteiga a temperatura ambiente - misturar bem, forrar o fundo de uma forma de fundo removível e levar ao forno médio-baixo até dourar (foram 15 minutos no meu forno).
Minha versão de chantilly é meio diferente, fica mais leve, como na receita da taça: 1 caixinha de creme de chantilly (gelado) batido na batedeira com 2 claras e duas colheres de sobremesa de açúcar até alcançar uma consistência firme.
Depois que a base de bolacha esfriar é só montar sobre ela: uma camada de doce de leite (usei 500 g), uma camada de banana picada (como mostra a foto ao lado) e uma camada de chantilly. Para finalizar, canela por cima é imprescindível! 

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Bombocado de mandioca

Adoro bombocado, mas nunca havia cogitado fazer até ver a postagem da Eliane. Quando eu vi a foto dela em uma tarde nublada de sábado, não tive dúvidas, esta seria a "guloseima" do final de semana. Como eu queria uma receita com leite condensado fui pro google atrás de idéias e logo que comecei a pesquisa, lembrei que o que eu gosto mesmo é de bombocado com mandioca. Achei uma bem fácil no site do Mais Você. Deste vez quase segui a receita à risca, mas coloquei um ingrediente a mais (queijo) e não caramelizei a forma (não queria ele muito doce). Usei:
1 lata de leite condensado;
4 ovos;
1/2 vidro de leite de coco;
1 pacote de queijo ralado (50 g);
1 xícara de coco em flocos (úmido e adoçado);
400 g de mandioca crua ralada.
Fiquei com preguiça de usar (lavar) o liquidificador, então misturei tudo a mão. Bati levemente os ovos, misturei bem o leite condensado e depois o leite de coco. Juntei o queijo, o coco e a mandioca e levei a mistura ao forno médio-baixo, em um refratário untado com margarina. Não controlei o tempo, foi pouco mais de 1/2 hora, mas desliguei quando estava dourado nas bordas. 
Ficou excelente, bem como eu gosto, mas não é muito doce. Para quem gosta de doce "bem doce", talvez  acrescentar 1 xícara de açúcar à receita.



sábado, 10 de julho de 2010

Aromas e sabores da África do Sul

Semana passada fomos a um jantar de harmonização na Vinhos do Mundo, com pratos típicos da culinária sulafricana. Os pratos foram preparados pelo chef Mamadou Séne, do Sénégal, e os vinhos servidos são da vinícola Avondale, que fica na África do Sul. Todos os pratos e vinhos estavam excelentes, o jantar foi realmente muito legal. Estes jantares são realizados no Espaço Gourmert da própria loja, e sempre são uma boa oportunidade de conhecer novos vinhos e adquirí-los com algum desconto. 
A vinícola Avondale produz vinhos biodinâmicos. Não sei bem explicar o conceito disso, vou pesquisar e outra hora faço um post específico, mas pelo que entendi, os biodinâmicos vão além dos orgânicos. O processo de produção do vinho é natural e não são utilizados agrotóxicos ou qualquer outro produto químico para tratar a uva ou o solo. A diferença principal entre os orgânicos e os biodinâmicos, é o que o primeiro usa adubo ou estrume para melhorar as características agronômicas do solo, já o segundo equilibra o solo através de um processo de remineralização... A explicação é comprida e não vou me delongar no assunto, fica para outra hora, sem pressa... 
Os pratos servidos na janta foram um festival de sabores e aromas. A culinária africana usa bastante especiarias e temperos picantes. Em minha opinião, não é fácil harmonizar vinhos com este tipo de culinária, mas a equipe de sommeliers da Vinho do Mundo fez um ótimo trabalho.
Eu não preciso dizer que saí de lá cheia de idéias, e a receita eleita para me introduzir na culinária sulafricana foi o Bobotie. O Bobotie é uma espécie de bolo de carne, e segundo os entendidos, é um dos pratos preferidos do Nelson Mandela. Cheguei da janta e fui direto "googlear" uma receita. Apesar da grande variação de ingredientes entre as receitas encontradas, todas seguem a mesma filosofia de preparo e os mesmos ingredientes base, então, como quem junta um quebra-cabeça, montei mentalmente minha versão com base no que eu comi e vi na internet. Para dar um charme a mais na apresentação, usei meus ramequins. Ficou ótimo, acho que o chef Mamadou aprovaria, rsrsrs.  Usei:
1/2 kilo de carne moída;
1/2 cebola roxa pequena;
1 fatia de pão integral;
1/2 xícara de leite de coco;
1 ovo;
6 folhas de hortelã rasgadas com a mão;
castanhas do pará picadas grosseiramente;
passas de uva (branca e preta);
1 col. de café de curry;
1 col. de café de páprica picante;
sal e pimenta moída na hora (mix de pimentas - composto por pimenta do reino preta, branca, pimenta rosa, pimenta calabresa e pimenta jamaicana, a mistura já vem pronta em um moedorzinho de plástico - da marca Chelli).
Piquei o pão em pedaços e deixei de molho no leite de coco por alguns minutos. Cortei a cebola em tiras e refoguei em um fio de azeite de oliva. Escorri o pão (reservei o leite de coco) e misturei com a carne, a cebola, o curry, a páprica, o hortelã, as passas, as castanhas e em pouco de sal. Quando a mistura ficou homogênea distribui em três ramequins. Bati o ovo com o leite de coco, um pouco de sal e o mix de pimentas. Dividi esta mistura sobre a massa de carne que estava nos ramequins. levei ao forno médio por 30 minutos. "Primo irmão" do bobotie feito pelo chef africano. 
Para harmonizar, um Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2003 The Owl House Avondale. Um belíssimo vinho. Cor vermelho rubi escuro, no início senti aroma de pimentão (yes!!! foi a primeira vez que consigui sentir esse), depois as notas amadeiradas se destacaram pelo tabaco, senti algo de fruta seca, talvez geléia de amora. Durante a harmonização com o prato, apareceram notas mais doces, algo próximo do doce de leite.  Na boca, boa persistência e volume, taninos maduros e discretos. Achei que brigou um pouquinho com a minha versão do bobotie. Lá na janta da Vinhos do Mundo a harmonização foi melhor sucedida. Um ótimo vinho, que ficou melhor ainda com o desconto: de R$79,90 por R$49,86. Super valeu a pena.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Filézinho de porco com mostarda

Adoro o ritual de cozinhar com calma, tomando uma tacinha de vinho, interagindo com os ingredientes e sentindo os aromas... Mas tem dias que o tempo é curto e vale a opção rápida e prática, que de preferência suje pouca louça. Durante a semana não temos o hábito de jantar, mas esses dias cheguei em casa podre de cansada e louca pra comer uma coisa quente e salgada, pois na correria  havia substituído o almoço por um lanche. Lembrei que no final de semana tinha tirado do freezer um pacotinho de filé suíno temperado e acabei não preparando, então, como estava na geladeira, era imprescindível que fosse consumido logo. 
Coloquei os filés em uma forma e para dar um toque "pessoal", sobre eles, generosas colheradas de mostarda com mel (já vem pronta, da marca Hemmer) e cebola roxa picada bem miudinha - obviamente já estava picada em um potinho na geladeira, que eu não era louca de cortar cebola no cansaço que eu estava.
40 minutos de forno a 180 ºC (20 com papel alumínio e 20 sem) e estava pronto. Uma delícia, a mostarda e a cebola criaram uma crostinha que fez toda diferença no sabor. 
Na foto abaixo, a iluminação alterou um pouco a cor da carne, mas ao vivo ela fica bem rosadinha viu! Falo isso pois certas pessoas acham a carne de porco muito seca, mas na verdade, no intuito de evitar que fique mal passada, acabam assando de mais. O ponto ideal do filé de porco é rosado e úmido. Já que o critério da cor pode ficar confuso, na hora de verificar o ponto ideal de cozimento passo e faca e verifico se o líquido que escorreu é transparente. Se neste líquido houver algum resquício de sangue, é porque ainda não está no ponto, e se não sair líquido algum, é porque já passou e está seco...



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fondue de queijo clássico e Miolo Lote 43

Até hoje, só havia utilizado aquelas massas prontas para fondue de queijo que têm nos supermercados. Nem me lembro qual foi a última vez que comprei, mas lembro de pensar que na próxima faria um fondue de "verdade", porque cá pra nós, elas são bem "mais ou menos". Pois então, o dia chegou e só tenho uma coisa a dizer: massa pronta para fondue nunca mais!!!! Fazer é muito fácil e fica muito bom. Não sou uma profunda conhecedora de fondue, mas arrisco dizer que este foi o melhor que já comi, e olha que tirando as experiências caseiras, todas aos outras foram em restaurantes da Serra Gaúcha.
Me inspirei na receita do blog Cooking Weekend, e usei:
200 g de queijo emmental
200 g de queijo gruyère
Pouco mais de 150 ml de vinho branco seco
1 fio de azeite de oliva
2 dentes de alho
1 colher de sopa de farinha de trigo
Noz moscada e pimenta do reino, raladas na hora e a gosto.
Misturei os queijos ralados, a farinha, a noz moscada e a pimenta do reino. Levei ao fogo baixo (do fogão), na panelinha própria para fondue, um fio de azeite e os dentes de alho inteiros, refoguei levemente e antes de descartá-los, passei pelas paredes da panela. Coloquei 100 ml de vinho e 1 minuto depois a mistura com os queijos. A partir deste momento, mexer sem parar, com o cuidado de não deixar grudar no fundo. Fui acrescentando um pouco mais de vinho a medida que o queijo derretia, até chegar na consistência que julguei ideal (cremoso e  sem grumos, tem que "pingar", mas não pode ser muito fluído - acho que a primeira foto da postagem da uma idéia sobre a consistência). Neste momento levei pra mesa e instalei  a panela na base própria do aparelho de fondue, sobre o foguareiro aceso para manter o calor.
Servi com cubos de pão levemente torrado, nhoque de batata cozido, e cogumelo Paris fatiados e rapidamente refogados com um fio de azeite de oliva e sal.
Dentro do assunto fondue, mas saindo do contexto da receita, vale uma dica para quem nunca fez em casa e está pensando em comprar um aparelho de fondue. Diferentes tipos de fondue (carne, queijo ou chocolate), exigem panelas de diferentes materiais. O de queijo, e principalmente o de chocolate, são mais delicados e precisam de uma panela de fundo grosso, de preferência de cerâmica.  Esta que eu tenho é de aço inox e parede finíssima, portanto ideal para fazer o fondue de carne. Para os outros tipo, é uma "cilada" porque se piscar o fondue queima com o calor do fogareiro. Então pensem nisso antes de fazer a compra, ok? Muitas vezes as lojas só estão afim de vender e não alertam o consumidor sobre as possibilidades e restrições de uso do produto. Eu ganhei de presente, não tive escolha, mas na época não tinha noção alguma sobre isso, então achei legal comentar ;)
Saindo da grastronomia, entramos na enofilia, o vinho da noite: Miolo Lote 43. Vinho que identifica a terra recebida em 1897 pelo imigrante italiano Giuseppe Miolo, quando estabeleceu-se no sul do país, onde hoje é o Vale dos Vinhedos. Neste lote hoje são cultivadas apenas uvas nobre das castas Merlot e Cabernet Sauvignon. Segundo definição da própria vinícola, este vinho é assinado pelo enólogo da família, Adriano Miolo, e foi elaborado para ser um ícone da marca, além de uma homenagem ao Giuseppe, patriarca da família.  A safra que está disponível no mercado é a 2005. Envelhecido em barricas novas de carvalho americano, o vinho foi engarrafado na primavera de 2006 e ficou descansando nas caves subterrâneas da vinícola Miolo até estar pronto para ser comercializado. 
Após esta longa descrição, que consta no rótulo e na ficha técnica do vinho, vamos à minha percepção... Sem dúvidas um ótimo vinho, seguramente o melhor que já tomei produzido por esta vinícola. Os taninos estavam bem maduros e o final persistente na boa. Na categoria aromas só senti carvalho, carvalho e mais carvalho... Isto não quer dizer que o vinho não tinha outros aromas, mas meu nariz amador não identifico mais - a ficha técnica fala em "aromas complexos", tenho preconceito com esta definição, mas tudo bem... Achei que faltou um pouco de corpo no vinho e apesar de, segundo sua ficha técnica, ser apropriado para pratos como carne de caça, o vinho combinou super bem com o fondue. Compramos naquele curso que fizemos na vinícola com 20% de desconto, o que deixa o preço bom. Olhei no site e hoje uma garrafa custa R$ 79,00. Acho esse preço meio salgado, tenho dúvidas se vale  - que fique registrado que o Rodrigo discorda desta minha opinião, ele adorou o vinho e acha que vale. Às vezes acho que além dos altos impostos, no preço dos vinhos produzidos na Serra Gaúcha há uma boa carga de "publicidade",  se é que vocês me entendem...