quarta-feira, 21 de julho de 2010

Creme de mandioca incrementado

Na onda das sopas e dos cremes. É um dos preferidos do Rodrigo, então é presença certa no nosso cardápio de inverno. Eu costumava usar um pouco de creme de leite para finalizar, mas dessa vez cortei para deixar mais leve e foi bom, não senti falta. Usei:
1/2 quilo de mandioca;
100 g de lombo suíno defumado (também fica bom com bacon ou calabresa);
1 cubo de caldo de carne (uso aquele Vitalie da Knorr que tem menos gordura e sal);
1 copo de leite (300 ml).
1 cebola roxa pequena;
manteiga;
sal e pimenta do reino.
Botei a mandioca para cozinhar em água, com o caldo de carne. Depois de cozida, passei para o liquidificador e bati com a água do cozimento - não muito, só o necessário para o liquidificador funcionar. Cozinhei o lombo defumado, picado em pequenos cubinhos, sem óleo, porque ele já tem uma gordurinha, e em seguida acrescentei a mandioca batida e o leite. Mexi para uniformizar e deixei cozinhando em fogo baixo, mexendo com frequencia. Enquanto isso, cortei a cebola em rodelas e refoguei na manteiga com uma pitada de sal. 
Não foi preciso ajustar o sal do creme, pois o lombo era bem salgado e a mandioca já estava temperada com a água do cozimento. Servi o creme bem quente e acrescentei a cebola por cima para decorar. Na hora de comer ela deu um toque a mais no sabor. Finalizei com uma pimentinha do reino moída na hora. Excelente!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Risoto de Alcachofra e Arinarnoa da Valduga

Desde que vi o risoto de alcachofra que a Fabi (Figos e Funghis) postou no seu cantinho "Receita do Leitor", decidi que o meu próximo risoto seria esse. Em uma passada rápida no supermercado durante a semana, já me adiantei e comprei duas alcachofras que ficaram na geladeira, esperando para ir para a panela no almoço de domingo.
Eu nunca tinha feito alcachofra, diga-se de passagem comi pouquíssimas vezes, nem sabia direito que gosto tinha e muito menos como se preparava. No fundo, o que me deixou vidrada foi a foto da postagem da Fabi, pois o risoto foi servido dentro da própria alcachofra - achei lindo e era isso que eu pretendia fazer.
Antes de botar fogo nas panelas fui conferir a receita e desanimei quando vi o preparo (que eu não tinha lido anteriormente): as alcachofras inteiras estavam ali só para a apresentação, o risoto havia sido preparado com alcachofras em conserva - e é claro, eu não as tinha em casa. Além disso, eu jurava que o tal "coração", ou "fundo", estava ali escondido no meio das "pétalas" das alcachofras e que além de carnudo, era fácil de remover - me enganei feio...
Superado o trauma de não poder executar a receita, fui buscar ajuda nos blogs das outras amigas e felizmente cheguei na postagem da Tati, que é mega didática e colocou passo a passo como se retira o "fundo" da alcachofra. Só tenho uma coisa a dizer... Primeira e última vez! Dá um trabalhão e como diz a Tati, o tal "fundo" é um "miserê". Se eu conseguisse comprar as alcachofras por R$ 1,00 como ela até valeria a pena, mas por aqui, paguei R$ 5,80 por cada uma, não vale... 
Apesar de toda inexperiência o cardápio seguiu inalterado - risoto de alcachofra, e contrariando as expectativas o resultado foi bem bom. Como fiz pouquinho, os dois fundos representaram bem o sabor da alcachofra e para não ficar tão frustrada quando à apresentação, usei algumas "pétalas" para deixar o prato mais bonito. Vamos à receita, usei:
1 xícara de arroz arbóreo;
1/2 cebola roxa;
2 colheres de sopa de manteiga;
1 litro de água;
1 cubo de caldo de legumes;
1/2 taça de vinho branco;
2 fundos de alcachofra;
parmesão ralado.
O preparo do risoto seguiu o método tradicional: Refoguei a cebola picadinha na metade da manteiga, juntei o arroz, refoguei um pouco, acrescentei o vinho, deixei evaporar um pouco, e em seguida comecei a acrescentar o caldo quente (água + caldo de legumes), aos poucos, sempre mexendo... A medida que evapora, acrescento mais um pouco... Coloquei a alcachofra picada na metade do cozimento. Para esta quantidade de arroz, não é necessário 1 litro de caldo, mas independente disso uso esta medida de água para dissolver o caldo em cubo, de modo que não fique tão concentrado. Quando o arroz estava al dente, verifiquei o sal, não foi preciso ajustar, acrescentei o restante da manteiga e parmesão ralado na hora - estilo Jamie Oliver. Misturei bem e tampei a panela para que a manteiga e o queijo derretessem. Servi em seguida, sobre o risoto, para decorar e dar um toque no sabor, coloquei uma colher de um pesto feito com azeitona, nozes e manjericão. 
O risoto ficou muito gostoso... Só que da próxima vez, alcachofra em conserva!
Para harmonizar, Arinarnoa 2006 da linha Identidade, Casa Valduga. A Arinarnoa é uma uva produzida em laboratório, a partir do cruzamento da Merlot e Petit Verdot. Sua produção é inédita do Brasil, e se desenvolveu nos vinhedos da Valduga em Encruzilhada do Sul.
É um bom vinho, de corpo médio, rubi intenso. No início os aromas apresentam notas de especiarias, o carvalho é representado por um leve aroma de baunilha e na categoria frutas vermelhas, só senti morango, no aroma e no sabor. Os taninos estão redondos e a adstringência na medida. Combinou bem com risoto. 




domingo, 18 de julho de 2010

Pão de minuto, muitos minutos...

Acho que já disse por aqui que não tenho muito jeito com o preparo de massas, especialmente de pão, mas sempre tive vontade de fazer aquele "pão de minuto". Depois que a receita saiu na revista Nestlé n° 45, com  a chamada  "pai e filho vão à cozinha e, numa gostosa brincadeira, preparam pães de minuto para o café da manhã especial de Dia das Mães", pensei: essa é pra mim, até criança faz.
Acordamos tarde hoje e como previsto, frio e chuva em Porto Alegre. Aos domingos gosto de um café da manhã especial e como acordei inspirada (e faminta), fui direto para a cozinha providenciar os pães de minuto para comer quentinho.  A receita é bem fácil, mas ainda não tinha acordado direto, me perdi nas quantidades e para "consertar", o pão de minuto virou pão de hora! Primeiro vou passar para vocês a receita que está na revista (também tem no site), depois conto minha versão e vocês escolhem como fazer...
Ingredientes : 
1 pote de iogurte natural integral Nestlé
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de açúcar
1 ovo
1 colher de chá de sal
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de fermento em pó
1 gema para pincelar e manteiga para untar
Misturar o iogurte com a manteiga, o açúcar, o ovo e o sal. Peneire sobre a mistura a farinha de trigo e o fermento. Misture bem a massa e modele os pãezinhos redondos. Coloque eu uma assadeira untada, pincele com a gema e leve para assar em forno médio preaquecido, por cerca de 15 minutos ou até que fiquem dourados.
Agora,  a versão "sem pressa": 
Tenho sempre iogurte natural na geladeira, mas feito por mim, e como eu não tinha a medida do copo do iogurte comercializado, usei duas xícaras... Optei por usar a metade da manteiga e do açúcar para ficar mais light. Lembrei que a receita de pão de minuto da Luciana tinha parmesão ralado, então resolvi adicionar um pacote (50 g) à massa. Assim que misturei a farinha, senti que tinha colocado muito iogurte, então fui colocando mais farinha e misturando (coloquei 1 xícara a mais em relação a receita original). Ainda assim a massa não estava no ponto de moldar os pãezinhos, mas eu já tinha perdido a paciência de misturar a massa e a fome estava crescendo... Então lembrei das minhas forminhas de empada - foram a salvação! Untei com  margarina, dividi a massa em 12 forminhas e salpiquei orégano e gergelim. Depois de 20 minutos de forno, tínhamos uma fornada de pães quentinhos e macios na mesa.
O sabor da manteiga derretida no pão quente, faz qualquer manhã chuvosa de domingo ficar mais feliz! A versão gorgonzola com um toque de azeite de oliva também ficou maravilhosa. Foi super fácil desenformar e arrisco dizer que do jeito que eu fiz, os pãezinhos ficaram mais leves e aerados. Foi aprovado como louvor, o Rodrigo disse que posso repetir a dose todos os domingos.
E enquanto tomávamos um belo café da manhã, olha a situação do Heitor no sofá da sala!  Essa estória de que gatos são indiferentes aos donos é a maior besteira. Eles sempre estão na peça da casa que estamos, são super companheiros, mas é claro, cada um na sua. Enquanto uns comem, outros dormem, hehehe... 

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vichyssoise

"A vichyssoise é uma das sopas mais importantes da culinária internacional, criada por um cozinheiro francês nos Estados Unidos. É servida normalmente morna ou fria e há variantes, como as que são cozidas em água e não caldo de legumes, juntando um osso de porco ou ainda acrescidas de agrião cozido e outras verduras." A Grande Cozinha - Sopas e Caldos, v. 10, Ed. Abril, 2007.
Já que a sopa tem esse nome bonito, não custa citar, afinal segui (ou quase) a receita que estava no livro, mas na verdade, essa vichyssoise nada mais é que um creme de batata com alho poró
Receitinha fácil sem muita complicação, só alterei as quantidades de manteiga e creme de leite para deixar mais light. Usei:
3 batatas médias;
2 alhos porós;
1/2 cubo de caldo de legumes;
1 colher de sopa de manteiga;
alecrim e tomilho;
1/2 caixinha pequena de creme de leite.
Cortei a parte branca do alho poró em rodelas e botei para refogar na manteiga. Enquanto isso, descasquei e piquei em cubos grandes a batata. Refoguei um pouco junto com o alho poró e logo acressentei  1 litro de água quente, o caldo de legumes e umas folinhas de alecrim e tomilho. Tampei a panela e deixei em fogo médio até as batatas ficarem cozidas. Bati tudo no liquidificador, retornei para a panela e acrescentei o creme de leite. Ajustei o sal e mantive em fogo baixo por mais alguns minutos, mexendo sem parar. 
No prato, cebolinha picada, pimenta do reino moída na hora e um toque de azeite de oliva. Delicioso, um creme de sabor muito delicado. Aprovadíssimo, vou repetir mais vezes!
Apesar de este creme ser propício para temperaturas mais amenas, pois a instrução é servir frio ou morno, servi quente obviamenente - vocês viram nos últimos noticiários, o frio que anda fazendo aqui no Sul do Brasil? No momento desta postagem, em Porto Alegre, 2ºC. 

terça-feira, 13 de julho de 2010

Da taça para o forno - torta de banana com doce de leite

Vocês lembram daquela sobremesa rápida na taça, de banana com doce de leite, que postei aqui? Pois então, ela foi inspirada em uma torta maravilhosa que comi no Machry em Porto Alegre, e finalmente tentei reproduzi-la em casa. Não tem erro! Fica perfeita, é fácil e rápida de fazer e agrada qualquer paladar!
Para camada base: 120 g de bolacha Maizena triturada no liquidificador até virar farinha +  100 g de manteiga a temperatura ambiente - misturar bem, forrar o fundo de uma forma de fundo removível e levar ao forno médio-baixo até dourar (foram 15 minutos no meu forno).
Minha versão de chantilly é meio diferente, fica mais leve, como na receita da taça: 1 caixinha de creme de chantilly (gelado) batido na batedeira com 2 claras e duas colheres de sobremesa de açúcar até alcançar uma consistência firme.
Depois que a base de bolacha esfriar é só montar sobre ela: uma camada de doce de leite (usei 500 g), uma camada de banana picada (como mostra a foto ao lado) e uma camada de chantilly. Para finalizar, canela por cima é imprescindível! 

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Bombocado de mandioca

Adoro bombocado, mas nunca havia cogitado fazer até ver a postagem da Eliane. Quando eu vi a foto dela em uma tarde nublada de sábado, não tive dúvidas, esta seria a "guloseima" do final de semana. Como eu queria uma receita com leite condensado fui pro google atrás de idéias e logo que comecei a pesquisa, lembrei que o que eu gosto mesmo é de bombocado com mandioca. Achei uma bem fácil no site do Mais Você. Deste vez quase segui a receita à risca, mas coloquei um ingrediente a mais (queijo) e não caramelizei a forma (não queria ele muito doce). Usei:
1 lata de leite condensado;
4 ovos;
1/2 vidro de leite de coco;
1 pacote de queijo ralado (50 g);
1 xícara de coco em flocos (úmido e adoçado);
400 g de mandioca crua ralada.
Fiquei com preguiça de usar (lavar) o liquidificador, então misturei tudo a mão. Bati levemente os ovos, misturei bem o leite condensado e depois o leite de coco. Juntei o queijo, o coco e a mandioca e levei a mistura ao forno médio-baixo, em um refratário untado com margarina. Não controlei o tempo, foi pouco mais de 1/2 hora, mas desliguei quando estava dourado nas bordas. 
Ficou excelente, bem como eu gosto, mas não é muito doce. Para quem gosta de doce "bem doce", talvez  acrescentar 1 xícara de açúcar à receita.



sábado, 10 de julho de 2010

Aromas e sabores da África do Sul

Semana passada fomos a um jantar de harmonização na Vinhos do Mundo, com pratos típicos da culinária sulafricana. Os pratos foram preparados pelo chef Mamadou Séne, do Sénégal, e os vinhos servidos são da vinícola Avondale, que fica na África do Sul. Todos os pratos e vinhos estavam excelentes, o jantar foi realmente muito legal. Estes jantares são realizados no Espaço Gourmert da própria loja, e sempre são uma boa oportunidade de conhecer novos vinhos e adquirí-los com algum desconto. 
A vinícola Avondale produz vinhos biodinâmicos. Não sei bem explicar o conceito disso, vou pesquisar e outra hora faço um post específico, mas pelo que entendi, os biodinâmicos vão além dos orgânicos. O processo de produção do vinho é natural e não são utilizados agrotóxicos ou qualquer outro produto químico para tratar a uva ou o solo. A diferença principal entre os orgânicos e os biodinâmicos, é o que o primeiro usa adubo ou estrume para melhorar as características agronômicas do solo, já o segundo equilibra o solo através de um processo de remineralização... A explicação é comprida e não vou me delongar no assunto, fica para outra hora, sem pressa... 
Os pratos servidos na janta foram um festival de sabores e aromas. A culinária africana usa bastante especiarias e temperos picantes. Em minha opinião, não é fácil harmonizar vinhos com este tipo de culinária, mas a equipe de sommeliers da Vinho do Mundo fez um ótimo trabalho.
Eu não preciso dizer que saí de lá cheia de idéias, e a receita eleita para me introduzir na culinária sulafricana foi o Bobotie. O Bobotie é uma espécie de bolo de carne, e segundo os entendidos, é um dos pratos preferidos do Nelson Mandela. Cheguei da janta e fui direto "googlear" uma receita. Apesar da grande variação de ingredientes entre as receitas encontradas, todas seguem a mesma filosofia de preparo e os mesmos ingredientes base, então, como quem junta um quebra-cabeça, montei mentalmente minha versão com base no que eu comi e vi na internet. Para dar um charme a mais na apresentação, usei meus ramequins. Ficou ótimo, acho que o chef Mamadou aprovaria, rsrsrs.  Usei:
1/2 kilo de carne moída;
1/2 cebola roxa pequena;
1 fatia de pão integral;
1/2 xícara de leite de coco;
1 ovo;
6 folhas de hortelã rasgadas com a mão;
castanhas do pará picadas grosseiramente;
passas de uva (branca e preta);
1 col. de café de curry;
1 col. de café de páprica picante;
sal e pimenta moída na hora (mix de pimentas - composto por pimenta do reino preta, branca, pimenta rosa, pimenta calabresa e pimenta jamaicana, a mistura já vem pronta em um moedorzinho de plástico - da marca Chelli).
Piquei o pão em pedaços e deixei de molho no leite de coco por alguns minutos. Cortei a cebola em tiras e refoguei em um fio de azeite de oliva. Escorri o pão (reservei o leite de coco) e misturei com a carne, a cebola, o curry, a páprica, o hortelã, as passas, as castanhas e em pouco de sal. Quando a mistura ficou homogênea distribui em três ramequins. Bati o ovo com o leite de coco, um pouco de sal e o mix de pimentas. Dividi esta mistura sobre a massa de carne que estava nos ramequins. levei ao forno médio por 30 minutos. "Primo irmão" do bobotie feito pelo chef africano. 
Para harmonizar, um Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2003 The Owl House Avondale. Um belíssimo vinho. Cor vermelho rubi escuro, no início senti aroma de pimentão (yes!!! foi a primeira vez que consigui sentir esse), depois as notas amadeiradas se destacaram pelo tabaco, senti algo de fruta seca, talvez geléia de amora. Durante a harmonização com o prato, apareceram notas mais doces, algo próximo do doce de leite.  Na boca, boa persistência e volume, taninos maduros e discretos. Achei que brigou um pouquinho com a minha versão do bobotie. Lá na janta da Vinhos do Mundo a harmonização foi melhor sucedida. Um ótimo vinho, que ficou melhor ainda com o desconto: de R$79,90 por R$49,86. Super valeu a pena.