Não se preocupem, não abandonei a dieta! Este evento enogastronômico rolou aqui em casa antes da "Operação outono na França", mais precisamente logo depois de eu ter comprado a panela de pressão.
Confesso que eu já estava com saudade das postagens "enoharmonizadas"... Amanhã completo uma semana de deita e estou firme, cortei tudo, incluindo o vinho (que tristeza...), mas isso é assunto para uma postagem no domingo, que será o dia oficial de falar sobre o andamento da dieta.
Agora o que interessa, a receita:
pouco mais de 1 xícara de arroz arbóreo;
1/2 cebola branca;
1 dente de alho;
1/2 linguiça de pernil já cozinha, cortada bem miudinha;
1/2 cubo de caldo de carne;
1/2 taça de vinho branco;
manteiga;
parmesão ralado;
tomilho seco;
pinhão a gosto.
Primeiro cozinhei o pinhão na panela de pressão (40 minutos) - para abrí-los, método "ogro" mesmo, com os dentes. Enquanto eles estão quentes abrem fácil.
Pinhões cozidos e descascados, comecei o risoto: cebola refogada na manteiga, depois adicionei a linguiça, mais tarde o alho e por fim o arroz. Juntei o vinho, deixei evaporar um pouco e em seguida comecei a adicionar água quente (dessa vez não dissolvi o caldo na água), aos poucos, sempre mexendo e acrescentando mais, a medida que vai evaporando. Adicionei o caldo de carne logo que comecei a botar a água quente. Quando estava quase no ponto, acrescentei os pinhões picados em pedaços graúdos. Logo o arroz ficou al dente - ajustei o sal, coloquei um "naco" de manteiga, um pouco de parmesão e um toque de tomilho, misturei bem e deixei a panela tampada uns minutinhos antes de servir! Excelente!!!!
Para acompanhar escolhemos um Bordeuaux - Chateau des Arrocs Cuvée du Marquis, da região de Graves, safra 2006. Belo vinho, já havíamos provado em um jantar na Vinhos do Mundo e gostamos bastantes. Recentemente recebi um e-mail da importadora dizendo que estava em promoção e passamos lá para comprar na hora. No aroma, só senti as frutas vermelhas no início, com a evolução aparecem notas de chocolate e tabaco. Tem um toque mentolado na boca, bem sutil. Corpo médio, adstringência leve, coloração rubi. Elegante. Por R$ 44,00 é uma boa compra (o preço original é em torno de R$ 70,00).
Mas...
O risoto estava ótimo, o vinho também, entretanto, erramos feio na harmonização. O vinho pedia um prato mais delicado. Falha nossa, pois já havíamos provado ele e não guardamos a percepção do sabor ou da estrutura, só a lembrança que era bom e ponto. Como tenho o hábito de começar a beber o vinho antes da comida, para sentir sua evolução com a harmonização, conseguimos identificar de cara que não combinou, então acabamos tomando a maior parte da garrafa logo após a refeição (é um pecado botar um vinho desses na geladeira né!).
Independente do sucesso, a experiência é sempre válida, não temos muita familiaridade com os vinhos franceses, então não é fácil acertar. Além disso, só o fato de ser um Bordeaux, não diz muito sobre o vinho. Em geral são vinhos mais tânicos e potentes, corte das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Entretanto, a região de Bordeaux é composta de diferentes terroirs. Em Graves, segundo a Larousse do Vinho (edição Brasileira de 2007), os tintos apresentam "finura e equilíbrio, assim como belas notas de cereja, de tabaco e de chocolate*". Esta descrição bateu perfeitamente com o vinho que tomamos, mas é claro, só consultamos a bibliografia quando o vinho já estava acabando.
* Yes!!! Eu tinha identificado o chocolate e o tabaco! Procuro sempre fazer a análise sensorial sem me influenciar por notas do rótulo ou opiniões de terceiros. Deixo para conferir depois e ficou super feliz quando bate com a minha percepção... Acho que estou ficando boa nisso, rsrsrs.

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