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sábado, 10 de julho de 2010

Aromas e sabores da África do Sul

Semana passada fomos a um jantar de harmonização na Vinhos do Mundo, com pratos típicos da culinária sulafricana. Os pratos foram preparados pelo chef Mamadou Séne, do Sénégal, e os vinhos servidos são da vinícola Avondale, que fica na África do Sul. Todos os pratos e vinhos estavam excelentes, o jantar foi realmente muito legal. Estes jantares são realizados no Espaço Gourmert da própria loja, e sempre são uma boa oportunidade de conhecer novos vinhos e adquirí-los com algum desconto. 
A vinícola Avondale produz vinhos biodinâmicos. Não sei bem explicar o conceito disso, vou pesquisar e outra hora faço um post específico, mas pelo que entendi, os biodinâmicos vão além dos orgânicos. O processo de produção do vinho é natural e não são utilizados agrotóxicos ou qualquer outro produto químico para tratar a uva ou o solo. A diferença principal entre os orgânicos e os biodinâmicos, é o que o primeiro usa adubo ou estrume para melhorar as características agronômicas do solo, já o segundo equilibra o solo através de um processo de remineralização... A explicação é comprida e não vou me delongar no assunto, fica para outra hora, sem pressa... 
Os pratos servidos na janta foram um festival de sabores e aromas. A culinária africana usa bastante especiarias e temperos picantes. Em minha opinião, não é fácil harmonizar vinhos com este tipo de culinária, mas a equipe de sommeliers da Vinho do Mundo fez um ótimo trabalho.
Eu não preciso dizer que saí de lá cheia de idéias, e a receita eleita para me introduzir na culinária sulafricana foi o Bobotie. O Bobotie é uma espécie de bolo de carne, e segundo os entendidos, é um dos pratos preferidos do Nelson Mandela. Cheguei da janta e fui direto "googlear" uma receita. Apesar da grande variação de ingredientes entre as receitas encontradas, todas seguem a mesma filosofia de preparo e os mesmos ingredientes base, então, como quem junta um quebra-cabeça, montei mentalmente minha versão com base no que eu comi e vi na internet. Para dar um charme a mais na apresentação, usei meus ramequins. Ficou ótimo, acho que o chef Mamadou aprovaria, rsrsrs.  Usei:
1/2 kilo de carne moída;
1/2 cebola roxa pequena;
1 fatia de pão integral;
1/2 xícara de leite de coco;
1 ovo;
6 folhas de hortelã rasgadas com a mão;
castanhas do pará picadas grosseiramente;
passas de uva (branca e preta);
1 col. de café de curry;
1 col. de café de páprica picante;
sal e pimenta moída na hora (mix de pimentas - composto por pimenta do reino preta, branca, pimenta rosa, pimenta calabresa e pimenta jamaicana, a mistura já vem pronta em um moedorzinho de plástico - da marca Chelli).
Piquei o pão em pedaços e deixei de molho no leite de coco por alguns minutos. Cortei a cebola em tiras e refoguei em um fio de azeite de oliva. Escorri o pão (reservei o leite de coco) e misturei com a carne, a cebola, o curry, a páprica, o hortelã, as passas, as castanhas e em pouco de sal. Quando a mistura ficou homogênea distribui em três ramequins. Bati o ovo com o leite de coco, um pouco de sal e o mix de pimentas. Dividi esta mistura sobre a massa de carne que estava nos ramequins. levei ao forno médio por 30 minutos. "Primo irmão" do bobotie feito pelo chef africano. 
Para harmonizar, um Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2003 The Owl House Avondale. Um belíssimo vinho. Cor vermelho rubi escuro, no início senti aroma de pimentão (yes!!! foi a primeira vez que consigui sentir esse), depois as notas amadeiradas se destacaram pelo tabaco, senti algo de fruta seca, talvez geléia de amora. Durante a harmonização com o prato, apareceram notas mais doces, algo próximo do doce de leite.  Na boca, boa persistência e volume, taninos maduros e discretos. Achei que brigou um pouquinho com a minha versão do bobotie. Lá na janta da Vinhos do Mundo a harmonização foi melhor sucedida. Um ótimo vinho, que ficou melhor ainda com o desconto: de R$79,90 por R$49,86. Super valeu a pena.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Maçã, pêra, canela, gengibre... Que importa o nome?

Não sei se isso pode ser chamado de bolo, torta ou crumble. Inventei inspirada em uma torta de maçã com especiarias que comi em uma confeitaria aqui em Porto Alegre (Bella Gula). Achei maravilhosa e fiquei morrendo de vontade de fazer algo do tipo. Então, em uma tarde de domingo, juntei minha percepção quanto à torta com a lembrança de receitas de crumble (que eu nem sei bem o que é), e criei esta receita com os ingredientes que tinha em casa. O resultado atendeu largamente minhas expectativas, considerando os níveis de "invencionice" e improviso envolvidos no preparo. Usei:
150g de bolacha Maizena triturada no liquidificador até virar uma farinha;
1 punhado de castanha do pará também triturada no liquidificador;
1 xícara de açúcar mascavo;
1 xícara de granola;
2 maçãs pequenas e 1 pêra grande picadas em cubos;
suco de 1/2 limão;
100 g de manteiga derretida;
1 colher de sobremesa (rasa) de canela;
gengibre finamente picado, a gosto.
Misturei todos os ingredientes e acomodei em um refratário pequeno, de modo que formasse uma camada lisa e uniforme. Levei ao forno por 30 minutos a 180ºC.
Servi quente, regado com mel de flor de laranjeira. Muito bom!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Conchiglione recheado com ricota e castanha-do-pará e coberto com molho roquefort

As fotos infelizmente não reproduzem o quão maravilhoso ficou este prato, mas vocês podem imaginar ao ler a receita, não é? Inventei ela sob medida para harmonizar com um vinho top, que estava esperando uma ocasião especial para ser aberto. Como sou da teoria que a "ocasião especial" se dá simplesmente pela disposição e inspiração, e não por uma data no calendário, elegemos a último sábado para este programa. 
Para o recheio usei:
 1/2 peça de ricota,
 10 castanhas-do-pará picadas,
 1/2 pacote de queijo parmesão ralado (25g),
 1 colher de sopa de creme de ricota (da Tirolez),
 sal, pimenta do reino e tomilho a gosto,
 1 fio de azeite de oliva.
Para o molho, usei:
 1 fio de azeite de oliva,
 1 dente de alho,
 50 ml de vinho branco seco,
 1 pote de creme de ricota,
 +- 150 g de queijo roquefort.
"Esfarelei" a ricota com a mão e misturei com os demais ingredientes do recheio. Fiz "bolinhas achatadas", com o auxílio de uma colher de chá, para facilitar na hora de rechear os conchigliones. A embalagem tinha 28 conchigliones (200 g), então dividi o recheio na mesma quantidade, deu bem certinho.
Botei os conchigliones para cozinhar em água fervente com um fio de azeite e fui fazer o molho. Refoguei levemente o alho no azeite e juntei o vinho, depois de evaporar um pouco juntei o creme de ricota e o roquefort até derreter e homogeneizar bem.
Em 12 minutos os conchigliones estavam al dente. Escorri, esperei esfriar um pouco (para não queimar os dedos!) e os acomodei em um refratário. Recheei um por um e levei ao forno só para esquentar por alguns minutos. Servi com o molho quente.
Um prato completo, que dispensa acompanhamentos. Maravilhoso! Achei o molho um pouco forte e encorpado, talvez da próxima vez eu acrescente um pouco de leite para dar uma diluída... Também depende do roquefort, a "fortidão" varia com a qualidade do queijo, com a marca, etc. Ficou ótimo assim, mas para quem gosta de sabores mais sutis, é fácil suavizar. 

Agora vamos ao vinho... De Martino single vineyard Alto de Piedra - Carmenère 2007. Um belíssimo representante da casta Carmenère, produzido no Vale del Maipo, Chile. É um vinho elegante, encorpado, com volume na boca e bastante equilibrado. Achei os aromas um pouco  "acanhados", além das frutas vermelhas, na linha amora e cereja, senti um caramelo de açúcar mascavo no fundo de taça. Os taninos estavam no limite. Um vinho excelente, mas confesso que as nossas expectativas eram altas, então rolou uma certa decepção, especialmente porque não é barato.  Custou em torno de R$ 90,00, mas acho que não vale tanto... Ou talvez meu paladar não esteja preparado para vinhos nesta faixa de preço - o que no fundo é muito bom porque meu bolso definitivamente não está, rsrsrs. 
Foi uma ocasião não-especial com requintes de comemoração. A harmonização foi super bem sucedida e por mais que o vinho tenha doído um pouco no bolso, um programinha desses em casa ainda sai mais em conta que jantar fora... Com a vantagem de não se preocupar com fila, carro, segurança, etc, etc, etc...  Eu sou fã de programinhas caseiros, ainda mais em uma noite fria e chuvosa, como foi o caso desta.