segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O primeiro Chardonnay de 2010


Desde o nosso almoço no Sbornea’s, no Vale do Vinhedos, eu estava planejando fazer uma massa parecida com uma das que foram servidas: molho a base de nata, frango, nozes e cebolinha.
Finalmente montei a minha versão da receita na cabeça, peguei minha panela Wok de “estimação” e mãos à obra: refoguei a cebola na manteiga, depois os cubos de frango, sal e alho... Meia taça de vinho branco... Quando boa parte do vinho já tinha evaporado, desliguei o fogo, juntei a massa cozida, uma boa porção de nata, nozes moídas e cebolinha. Muito rápida, fácil de fazer e ficou uma delícia! As nozes deram uma leve adocicada e a cebolinha não deixou a mistura ficar sonsa, perfumou e deu sabor. O vinho escolhido para acompanhar o prato foi o chileno Aromo Reserva Privada 2008 Chardonnay. Boa surpresa. Não conhecíamos, compramos há um tempo atrás, em algum supermercado da rede Nacional, e estávamos esperando uma ocasião adequada para provar. Como é um vinho barato, as expectativas não eram altas, mas com certeza foram superadas. Cor amarelo (levemente esverdeado), aroma sutil de abacaxi. Baixa acidez, elegante e agradável ao paladar. Relação custo/beneficio excelente – comprei mais uma garrafa hoje, por R$17,63!
Quanto à harmonização: extremamente bem sucedida! O vinho cresceu com a comida, o sabor foi realçado! Missão cumprida!

domingo, 3 de janeiro de 2010

“Quando eu ando assim meio down... Vou pra Porto e bah! Tri legal”

Uma semana de férias em Porto Alegre! Para mim não foi esforço algum passar minha semana de férias em Porto Alegre, pois adoro minha cidade e meu bairro, o Centro... O descanso começou no domingo dia 27 – cidade deserta, Oba! Almoçamos no Suprem (Rua Santo Antônio, 877), um restaurante vegetariano inspirado na culinária indiana. Comida leve e nutritiva, ambiente agradável. Bom e barato. Já que estávamos pelo Bom Fim, passada obrigatória pelo Bric da Redação. O Bric é uma feira de artesanato ao ar livre que acontece aos domingos (agora com uma versão "adaptada"aos sábados) junto ao parque da Redenção. Lugar de criança, cachorro, e chimarrão... Impossível ir ao Bric e não encontrar alguém conhecido. Normalmente o público varia ao longo do dia. No início da manhã o clima é familiar, já no meio da tarde é mais eclético. Neste domingo, calmaria. 
Na segunda o calor estava escaldante... Ir pra rua, só com ar condicionado. Destino escolhido: Barra Shopping Sul. A Fnac ainda é novidade aqui em Porto Alegre, não consigo sair de lá sem uma sacolinha! As salas de cinema do Barra são muito boas, então aproveitamos para assistir Avatar na sala 3D. Não sou muito de ficção, mas achei este filme beeem legal. 

Na terça, chimarrão no calçadão de Ipanema pela manhã. Ipanema é um bairro na Zona Sul que é banhado pelo lago Guaíba. Apesar de impróprio para banho existem trechos com certa infraestrutura, como este que também é conhecido por “praia” de Ipanema. Fica à 20 minutos do Centro. Costumamos ir até lá eventualmente aos finais de semana para mudar de ares... 
À tarde, programa cultural, Fundação Iberê Camargo. Vale o passeio, a sede da Fundação foi projetada pelo arquiteto português Álvaro Siza, um dos cinco arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo. O prédio foi todo construído em concreto branco, na beira do Guaíba. A vista é linda! Quanto às obras do Iberê... Bom, eu não entendo de arte. Acho que ele era meio depressivo... 
Na quarta, melhor ficar um pouco em casa... Afinal essas férias são para descansar! 
Na quinta, último dia do ano!!! O dia amanheceu lindo e fresco e eu estava com o “pé que era um leque” para ir pra rua! Há tempos queríamos andar na Linha Turismo de Porto Alegre – um ônibus descoberto de dois andares que “passeia” por um roteiro turístico pré-determidado. Coisa pra turista mesmo, mas enfim... Estou de férias! Olhei na internet e o próximo horário era às 10h30min. Fomos até lá achando que iríamos conseguir lugar na primeira fila... Afinal, a cidade estava vazia. Que amadorismo... É necessário fazer reserva com pelo menos 48 horas de antecedência! Todos os lugares para todos os horários dos dias 31 e 1º já estavam reservados! Bom, pelo menos saímos com os nossos ingressos comprados para o dia 2... Já que estávamos na rua, prolongamos a caminhada até a Casa de Cultura Mário Quintana, um centro cultural instalado no antigo prédio do Hotel Majestic,que recebeu este nome em homenagem ao poeta que lá residiu durante a década de 70. Mais uma vez, tentativa frustrada... A Casa de Cultura estava fechada, recesso de final de ano. Depois desta, só nos restou voltar pra casa, valeu pela caminhada, que não foi pouca. 

Sexta, 1º do ano, o dia começa devagar... O sol estava de bem com a cidade e seguiu firme! Pela manhã fomos tomar um chimarrão no parque Moinhos de Vento, o Parcão. Quase dei uma cochilada embaixo da sombra das árvores... Coisa boa. Não preciso dizer que a cidade estava desertíssima... Ao meio-dia levantamos acampamento e começamos a busca por um restaurante para almoçar, todos fechados. Quando começou a bater o pânico lembrei do Barranco (Protásio Alves, 1578)! Este não deixa ninguém na mão, aos finais de semana abre às 11h da manhã e vai até a madrugada. É uma churrascaria à la carte impecável. Tem uma área externa com mesas dispostas sob as árvores. Muito agradável quando as temperaturas estão amenas. O preço é meio salgado, mas vale à pena. O dia estava perfeito para almoçar lá! Comemos uma Picanha à Barranco, o chopp desceu reto... 


Finalmente sábado, dia 2, fechamos a semana de férias com o planejado passeio na Linha Turismo. Escolhemos o roteiro estendido, que vai pela Zona Sul. Sai da Cidade Baixa, próximo ao Centro, e vai contornando o Guaíba, passa pelos bairros Assunção, Tristeza e Ipanema. Depois segue um roteiro em direção a Zona Rural da cidade pelos bairros, Cavalhada, Vila Nova e Belém Velho, até o Santuário Nossa Senhora Mãe de Deus, no topo do Morro da Pedra Redonda. Volta por uma área mais urbanizada, pelos bairros Cascata, Glória, Medianeira, Azenha, até chegar ao ponto de partida. A vista do Santuário é muito bonita, mas o resto, em minha opinião, não vale o passeio... 
O roteiro é muito extenso e sem potencial turístico. Amo Porto Alegre, mas definitivamente ela não é uma cidade bonita em termos urbanísticos e paisagísticos. Os bairros que compõe o trajeto nas áreas mais afastadas do Centro mostram uma ocupação desordenada. A duração total do passeio é 01h30min, mas pouco há para se contemplar neste tempo. Especialmente no trajeto da volta. Existe outro roteiro, mais curto, que circula pelo centro histórico da capital. Talvez seja mais interessante. 
Para finalizar o dia, e a semana, fim de tarde no Gasômetro. A Usina do Gasômetro foi uma usina de geração de energia, desativada em 1970, que hoje funciona como centro cultural. Localizada junto ao Guaíba é um local bastante visitado, especialmente porque possui um terraço imenso, um dos pontos mais tradicionais para ver o famoso pôr-do-sol da cidade. Junto à Usina existe o Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, mais conhecido como Harmonia, e uma extensa faixa da margem do Guaíba com infraestrutura adequada para esportes. Aos finais de semana o trânsito é interrompido em um trecho da avenida que separa o parque da margem do Lago. Aproveitamos para dar uma corridinha, é bom suar um pouco depois de todas as "harmonizações gastronômicas" da semana, rsrsrs... 
E assim acaba minha semana de férias... Com bastante descanso, parques, chimarrão e pôr-do-sol. Aos que são daqui (e que tiveram paciência de ler esta postagem imensa) espero ter despertado o espírito portoalegre adormecido... Aos de fora, sejam bem vindos, aproveitem as dicas, Porto Alegre é tri legal!




sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Enfim 2010!





Para mim o ano de 2009 passou tão rápido e quando chegou dezembro, a eminência do seu término e todas aquelas obrigações de final de ano (compra de presentes, amigo secreto, etc.) acabaram com as minhas energias... Por isto resolvi passar o Reveillon aqui em Porto Alegre, na minha casa e sem muita função. Só eu, o Rodrigo e os gatos. Entretanto, apesar de não estar no espírito de grandes comemorações, a noite era de festa e para mim um novo ano sempre deve ser celebrado! Arrumei a mesa com velas, frutas e taças de cristal e servi uma ceia bem delicada para harmonizar com o nosso primeiro espumante francês. Fiz crepes de queijo gruyère ao alho poró, tomates cereja recheados com gorgonzola e uma picanha suína assada no forno. Tomamos um Crémant de Bourgogne Brut, da região de Côte d’Or, produzido por François Labet. Segundo a Larousse do Vinho (2007), o termo crémanté, originário da região de Champanhe, designava inicialmente os vinhos fermentados na garrafa a uma pressão inferior a dos espumantes. Na Borgonha, este termo é aplicado aos espumantes de alta qualidade. São utilizadas principalmente cepas chardonnay, pinot noir, sacy, aligoté e gamay, e os controles de qualidade são muito rigorosos. 
Quanto à análise do espumante... Minha paixão pelos tintos é antiga e ano após ano posso notar a evolução no meu paladar, que está bem consolidado. Já minha simpatia pelos espumantes é mais recente, ainda não tenho “litragem” para analisar suas características com segurança, por isto algumas vezes não me sinto muito confortável em opinar sobre rótulos mais imponentes... É inegável que este é um espumante de qualidade superior, mas o meu paladar está mais acostumado aos espumantes produzidos aqui na serra, que são mais aromáticos. Eu gostei deste porque é um brut bem seco. Achei os aromas muito sutis e o sabor, disfarçado pela marcante sensação de “agulha”, provocada pelo gás carbônico. Perlage de média a fina, inicialmente abundante, mas com pouca persistência. Já a relação custo/benefício... Compramos este Crémant em promoção no Armazém dos Importados na Rua Padre Chagas há dois meses atrás, por R$ 64,50. Foi uma boa compra porque seu preço original é em torno de R$ 90. Digamos que ainda não está compatível com o meu bolso e o meu paladar, mas vale a experiência, especialmente em ocasiões especiais.



Nos programamos para assistir a queima de fogos na Usina do Gasômetro. Por volta de 11h já havíamos jantado e resolvi chamar um taxi para nos levar até lá.. Eu moro a 12 minutos (a pé) da Usina, mas achei que seria perigoso, que as ruas estariam desertas, nem quis levar câmera fotográfica... Quando cheguei na portaria do prédio senti o fiasco, a rua estava super movimentada, repleta de pessoas se deslocando até lá... Tudo bem, apesar de ter nascido e me criado nesta cidade nunca tinha passado um Reveillon aqui! A gente aprende na primeira vez... O show de fogos foi lindo, o clima das ruas estava bem legal, muita gente, todos festejando de maneira civilizada! Mas foto, só com a câmera do celular mesmo... Obviamente, voltamos a pé! 
Para encerrar a noite, cheesecake de amoras harmonizado com um late harvest chileno da Vinícola Tarapacá (2006), corte de Sauvignon Blanc e Gewürztraminer. Este vinho de sobremesa foi uma grata surpresa, bem aromático (predominância de fruta tropical), doce na medida certa, muito gostoso. Tinha um pouco de preconceito contra os late harvest, pois já tive um insucesso em outra compra, mas este estava excelente. Harmonizou perfeitamente com o azedinho da amora e o doce da geléia que cobre o cheesecake. 
Posso dizer que o nosso 2009 foi gastronomicamente encerrado em grande estilo. Que 2010 venha repleto de aromas e sabores para inebriar nossas vidas!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Lovely mushrooms...

Adoro cozinhar com cogumelos!!! Há algumas semanas a TV estava ligada, enquanto eu fazia o almoço em um domingo, e me marcou ouvir repetidamente o sotaque britânico do Jamie Oliver falando em mushrooms... Eu não estava prestando atenção, mas parece que era um programa especial aonde ele colhia e cozinhava cogumelos maravilhosos, e só de ver algumas cenas fiquei com água na boca. Desde então, estávamos precisando fazer uma sessão "cogumelos" aqui em casa para matar a vontade. 
Este ano tirei a semaninha de férias entre o Natal e o Reveillon para descansar e ficar por Porto Alegre, nada de pegar a estrada. Resolvi que queria curtir minha casa, minha cidade, meus gatos e também cozinhar, que é uma das minhas paixões... Voltando ao foco da postagem, cogumelos, finalmente aproveitei para cozinhá-los! Dois pratos simples e rápidos com diferentes, e em minha opinião bem sucedidas, harmonizações:
Ontem à noite fiz uma omelete com cebola dourada na manteiga, cogumelo paris e queijo mussarela, bem simples, mas muito saboroso. Foi harmonizado com um espumante Brut Casa Perini Método Champenoise. Não havíamos provado este espumante ainda e ele nos surpreendeu. Pontos para a perlage - fina, abundante e com certa persistência. Cor amarelo-palha, aroma frutado (pêssego talvez- não sou muito boa em analise sensorial de espumantes), agradável ao paladar, seco como eu gosto. Não achei a relação custo/benefício muito satisfatória (R$ 29,00), pois considerando sua origem (Serra Gaúcha) a concorrência é forte e seguramente existem rótulos de qualidade superior com preços equivalentes... Falando em rótulos, é no rótulo que este espumante perde pontos, não há informação alguma sobre a composição, tempo de fermentação, nada...



Para coroar a sessão, hoje no almoço fiz um risoto aos três cogumelos – paris, shitake e funghi. Ficou muito bom e esta uma daquelas receitas que não tem erro... Procedimento padrão de risoto: arroz arbóreo, vinho branco, etc... Usei em torno de 150g de Paris, 150g de Shitake e 30g de Funghi para 300g de arroz. Iniciei o processo com uma generosa porção de cebola refogada na manteiga. O tempero foi complementado por um toque de alho e pelo próprio caldo de carne utilizado no cozimento do risoto. A finalização no prato ficou por conta do parmesão e da pimenta do reino, ambos ralados na hora. A foto da postagem mostra os cogumelos sendo refogados na minha panela Wok de “estimação”. O perfume ainda está pela casa! Harmonizamos com uma Bohemia Oaken, cerveja maturada em carvalho, de coloração castanha, espuma cremosa, aroma amadeirado e sabor intenso com certa suavidade. Vale dar uma conferida no processo de fabricação no site da Bohemia (www.bohemia.com.br), além de muito bem apresentado e rico em informações é divertido, pois o tour é guiado pelo “Mestre Cervejeiro”.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Louca por frutas vermelhas



Esta é a época do ano em que o setor das frutas no supermercado me faz mais feliz, pois é a época das frutas vermelhas! Ontem fui ao Zaffari da Ipiranga, meu “super” preferido aqui em Porto Alegre, e me esbaldei: comprei cereja chilena, mirtilo, amora, e lichia (essa também é fruta vermelha? acho que não... vou pesquisar). As frutas vermelhas, além de saborosas, têm ação antioxidante, nesta época estão no seu auge e com preços muito bons! A estrela da foto desta postagem é o meu cheesecake, na versão amora, que tem sido bastante elogiado. Peguei a receita da internet e resolvi testar, já tinha tentado outras versões que não tinham me agradado e resolvi arriscar esta, mesmo sem botar muita fé, pois achei a quantidade de cream cheese exagerada... Enfim, paguei pra ver e o resultado foi surpreendente. Ficou ótimo! Já fiz várias vezes e todo mundo adora. Segue a receita:
Massa base - 150g de bolacha maisena triturada no liquidificador misturados com ½ tablete de margarina amolecida – forrar o fundo de uma forma com aro removível.
Recheio – no liquidificador 3 potes de cream cheese (450 g), 1 leite condensado, 2 ovos, 1 col. de café de essência de baunilha, 1 pitada de sal – passar para a forma.
½ hora de forno médio – pronto quando estiver firme (testar com palito). Depois que esfriar cobrir com geléia de amora e amoras (a versão com mirtilos também faz sucesso).
Bon appétit!
Como sugestão de harmonização,  espumante Moscatel da Serra Gaúcha. Para quem curte vinhos de sobremesa e gosta de investir em bons rótulos a dica é um vinho que degustamos recentemente em um jantar de harmonização do Ano da França no Brasil promovido pela Vinhos do Mundo, o Bordeaux Château Jardin De Rohan Blanc 2006 (50% Sauvignon Blanc, 40% Semillon, 10%Muscadelle). na ocasião foi harmonizado com um cheesecake de ricota ao molho de jabuticaba. Sem dúvidas este vinho foi um dos destaques da noite.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Eu não tenho bichos de estimação... Eu tenho família


Esta é a primeira vez que falo sobre a Malu e o Heitor aqui no blog. O Heitor chegou lá em casa com 40 dias, há dois anos atrás, quase cabia nas mãos de tão pequeno e imediatamente mudou nossa rotina e nos tornou reféns de suas carência e temperamento "afetado"... A Malu, mais conhecida como Mana, chegou um ano depois, já adulta e com outra postura, nos mostrou que gatos são extremamente carinhosos e obedientes... Hoje eles enchem a casa e dão uma sensação de família. Depois que adotamos esta duplinha nossas vidas mudaram... É fato que nossa casa é mais bagunçada e que tivemos que nos desapegar de um sofá de chenile e outras coisinhas mais, mas o carinho e a companhia deles não têm preço... Gatos são tudo de bom...

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Vale do Vinhedos é tudo de bom...

Já vi que esta estória de manter um blog atualizado não é nada fácil... Após quase um mês, enfim a segunda postagem! O tema eleito: Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves/RS, ou melhor, vinhos, como o próprio lugar sugere. Vou escrever um pouquinho sobre um final de semana bem legal que passamos por lá há duas semanas atrás, para realizar um Curso de Degustação de Vinhos na Escola do Vinho da Vinícola Miolo. O Vale dos Vinhedos está localizado entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, a 120 quilômetros de Porto Alegre. É um lugar belíssimo, com forte potencial turístico e cheio de boas vinícolas, que além de varejo e degustação, oferecem aos visitantes passeios guiados pelas unidades de produção e armazenamento dos vinhos e espumantes (www.valedosvinhedos.com.br). A Miolo nasceu em Bento Gonçalves e é hoje uma das maiores vinícolas da região. A Miolo Wine Group apresenta nove unidades de negócios, entre elas três internacionais (Chile, Argentina,Espanha).

Esta foi uma viagem organizada sem pressa... Há muito tempo queríamos fazer este curso lá na Vinícola, mas um dos condicionantes era ficarmos instalados no próprio Vale dos Vinhedos. No Vale não existem muitas opções de hotéis e há tempos eu “namorava” a Pousada Borguetto Sant’Anna (www.borghettosantanna.com.br). Como a pousada possui poucas suítes, para combinar acomodação, data do curso e a nossa agenda não foi fácil, resultado: participamos da última edição do ano.
Os sinais de que o final de semana seria bem sucedido começaram na véspera... Após um período terrível de chuvas aqui pelo sul, a previsão era de sol e acreditem, baixas temperaturas em pleno dezembro! Dia 05 de dezembro amanheceu gelado e ensolarado e muito cedo pegamos a estrada em direção a Bento Gonçalves, pois o curso começava às 08h:30min. A estrada até lá é tranquilíssima e está em boas condições. Chegamos na hora, esperamos os atrasados uns minutos e logo começou a função.
Após a apresentação, começamos o tour pela vinícola: tanques de inox, maquinário para recepção e processamento das uvas, caves, armazenamento... Todo processo foi minuciosamente descrito pelo Arley, enólogo que ministrou o curso. 
Conhecer o processo de fabricação e armazenamento dos vinhos é uma peculiaridade de muitas vinícolas da serra. Eu particularmente já tinha visitado o Vale e outras vinícolas, mas no contexto de um curso, esta foi uma visita ampliada, bem interessante para quem gosta de saber o que há por trás dos vinhos que consumimos.

Após a visitação, tivemos uma palestra bem legal sobre história do vinho e análise sensorial com o Alberto Miele, pesquisador da Embrapa e profundo conhecedor do assunto. Passamos enfim para parte mais esperada, a degustação de vinhos, ou melhor – análise sensorial dos vinhos. 13 rótulos da Miolo Wine Groups foram analisados, entre brancos, rosé, espumantes e tintos: Fortaleza do Seival Viognier 2008, Reserva Chardonnay 2009, Miolo Seleção Rosé 2008, espumante Millésime 2006, Terranova Moscatel 2008, Gamay 2009, Terranova Shirraz 2008, Gran Lovara 2006, Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, RAR 2005, Los Nevados Malbec 2007, DO Cabernet Franc 2004, Señorio Del Cid 2001. Fizemos a análise visual, olfativa e gustativa de todos os rótulos (ou quase todos, porque nos últimos... digamos que os sentidos estavam um pouco alterados).

Para mim os “eleitos” foram dois:
O Fortaleza do Seival Viognier 2008 porque não sou muito dos brancos e este é muito saboroso e aromático, frutado (citrus/tropical) com um toque floral – continua não sendo muito minha praia, mas para os dias mais quentes... Serviria com uma entrada leve, fria, a base de camarão talvez.
Dos tintos o Gran Lovara 2006 foi o destaque em minha opinião. Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat com taninos redondos e bem equilibrados, cor vermelho rubi, aroma de cereja e baunilha, carvalho muito pronunciado.
Encerrados os módulos “didáticos”, no meio da tarde seguimos para o almoço e confraternização na Osteria Mamma Miolo. A Osteria é um restaurante instalado em uma casa centenária da família Miolo que conserva a rusticidade da época em que foi construída (paredes de pedra e piso de chão batido). O almoço típico italiano foi providencial, pois estávamos famintos (e um tanto alcoolizados...). Generosamente “regado” a Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005 e a boas conversas, foi o fechamento perfeito do curso.
Para encerrar, demos uma passadinha no varejo da Miolo para usufruir do nosso desconto de 20%. Além da vista maravilhosa do Vale dos Vinhedos o detalhe da foto abaixo é a alegria do Rodrigo, meu marido, saindo da Miolo de carrinho, rsrsrs.

Sem condições para prolongar o programa fomos para a pousada... Um casal de amigos nos acompanhou nesta empreitada e para não dizer que dispensamos a brisa noturna do Vale, ainda fizemos uma sessão bread & wine na pousada à noite.

O Rodrigo escolheu a suíte Rocca da pousada e apesar de ficar um pouco desconfortável com a pedra gigante que existia dentro do quarto fui solidária... A suíte é uma graça, a vista é realmente maravilhosa (como todo o Vale), mas que fique claro que o fotógrafo do site da pousada é muito bom... Gostei da pousada, mas as expectativas eram altas e me frustrei. Achei a relação custo/benefício média. Frustrações a parte, dormimos muito bem e acordar com o ar da serra é tudo de bom...




Acordamos sem pressa, discutimos a programação da manhã mais sem pressa ainda...




Pegamos a estrada. A vinícola eleita para visitação (... e prejuízo) foi a Marco Luigi. Tivemos a sorte de sermos recepcionados pelo Don Vitor Valduga, dono da vinícola, uma figura – segundo ele é muito difícil encontrá-lo lá, pois está sempre em cima do trator. Conhecemos o processo de produção e a cave, instalada junto a um paredão de pedra, muito legal. Mais degustação, compras... O destaque foi o espumante Brut Reserva, corte de Chardonay, Pinot Noir e Merlot – bem interessante.
Lá se foi a manhã... Almoçamos no Sbórnea’s, no próprio Vale. Típico italiano, rodízio de massas e galeto, muito bom. Os guris tomaram um Pizzato Merlot 2005, desse fiquei de fora, pois fui eleita a motorista do casal na volta.
Voltamos pela estrada que passa pelos Caminhos de Pedra, um projeto de resgate da cultura local, onde casas centenárias (a maioria de pedra) foram adaptadas e transformadas em varejo de produtos produzidos na região. Visitamos a Casa da Ovelha, a Casa do Tomate e a Casa da Massa... Mais uma comprinhas e enfim chegamos à RS 122, rumo a Porto Alegre.
Apreciação global do final de semana (como se diz ao fim da análise sensorial de um vinho): excelente!! O Vale dos Vinhedos é um ponto de passagem obrigatório para quem vem ao sul, pelas paisagens, pela hospitalidade e especialmente pela atmosfera enogastronômica que envolve o lugar. É tudo de bom...
Nas minhas próximas postagens pretendo falar um pouco mais de análise sensorial, de roda de aromas, etc... Andei pesquisando umas coisas bem legais. Também vou dar umas dicas de vinhos que eu gostei, condicionadas não somente pela qualidade, mas também pela relação custo/benefício que muito me interessa. Mas sem pressa...